quinta-feira, 5 de maio de 2016

FIM DE ABSTINÊNCIA

No primeiro dia é fácil. As pessoas até afirmam que não precisam, que não faz falta. Afinal, elas param quando querem. Mas, logo no segundo dia, a crise de abstinência começa a se manifestar pelo organismo, trazendo ansiedade, menos sorrisos e até alucinações, comprovadas quando o indivíduo pensou que ouviu o toque, e ao pegar o celular para checar a mensagem, não havia nada. Pois ele nem se quer tocou. Isso porque o aplicativo preferido estava fora do ar.

E olha que o querido WhatsApp nem chegou a cumprir a pena máxima imposta de 72 horas. Creio que as autoridades perceberam a tensão coletiva que se formou e, assustados, resolveram liberar sua utilização para o deleite daqueles que já suavam frio pelas ruas, perdidos ao meio de outros seres humanos, percebendo-se incapazes de mandar uma selfie para o grupo de amigos, mesmo que este mesmo grupo tenha se encontrado dois dias antes em uma praça. Ao vivo. Mas talvez pareça mais tempo, pois neste encontro, cada um estava mandando suas mensagens para um outro grupo, que ninguém do primeiro participava. Confuso. A vida é confusa.

Mas o barato retornou às ruas. Os semblantes relaxaram como se todos estivessem curtindo a mesma música. Sentados em cangas enquanto comem uma bergamota no sol. Até os trabalhos ficaram mais produtivos, contrariando o que dizem os gestores da velha escola, de que tais ferramentas tecnológicas podem tirar o foco das tarefas. Não, amigos. O foco está de volta. Apenas voltou a ser dividido com o Whats e suas mensagens com piadas, com as frases de motivação, com os nudes, com as brigas dos grupos, com as paqueras, com as fofocas, com os desabafos, com as gafes cometidas por causa do corretor automático de palavras ou uma mensagem enviada errada, com a ansiedade de ver que o receptor leu a mensagem, mas ainda não respondeu. Até mesmo com mensagens de trabalho, inclusive fora do horário de expediente. Ou seja, agora o foco é constante, estando ou não no trabalho. E não seria melhor aprendermos a perder um pouco o foco?

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