quinta-feira, 24 de novembro de 2016

É PRECISO APERTAR O OFF

O Papai Noel já está pendurado nas vitrines de algumas lojas, supermercados e na casa das pessoas. Desde os mais simples até do tamanho de seres humanos. Alguns são seres humanos - para o divertimento de algumas crianças. O fato é que amanhã faltará um mês para o Natal. Logo, um mês para as mensagens bonitas sobre o verdadeiro espírito natalino, que estamos carecas de saber, mas não de colocar em prática.

Mas a reflexão que faço com a proximidade do Natal, não tem muito a ver com a data em si, mas com a passagem rápida do ano. Todos se espantam que o ano “passou voando”. Comentam que cada vez está mais rápido. Assim como comentam que cada Natal vem perdendo a graça. É só comentar sobre o 25 de dezembro durante o cafezinho que alguém vai dizer isso acompanhado de um olhar vazio para a xícara de café.

Se existe essa tal falta de graça em ralação a certo desprendimento das pessoas em relação ao Natal, da mesma forma que uma sensação de rapidez nas passagens dos anos, talvez nós tenhamos um pouco de culpa nisto, ao não nos permitirmos desviar um pouco a atenção para o que realmente gostamos, dispondo de mais tempo para nós mesmos e valorizando um pouco mais o contato pessoal ao virtual. Afinal, coincidentemente, na medida em que aumentam esse tipo de percepção sobre a aceleração do tempo, também aumentam o uso das redes sociais. São praticamente mais horas gastas online do que off-line.

Ainda dá tempo para buscar a tal “graça” do Natal e parar de pensar que o ano passou rápido demais. Nestes últimos dias do ano, busque se reunir mais com os amigos, visitar parentes. Enfim, buscar de alguma forma um contato físico com seres humanos, antes que esqueçamos o que isso signifique.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

ESSA BESTEIRA DE AR

A poluição atmosférica causa mais de 3 milhões de mortes no mundo, a cada ano; 92% da população do planeta vive em áreas com níveis de poluição superiores aos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS); Em 2013, ocorreram 62 mil mortes no Brasil causadas pela poluição. Estes são alguns dados apresentados pelo Relatório da Organização Mundial da Saúde. E os números vão além, deixando a problema muito mais sério. Quase tão sério quanto o desinteresse pelo assunto por parte não apenas de governos, mas pela própria população em geral.

Há quem leia isto e pense que é mais do mesmo. Afinal, é comum ler ou ouvir discursos sobre a qualidade do ar que nós respiramos e suas consequências para a saúde. É comum, fala-se bastante, mas continua sendo um tema que por incrível que pareça não nos atinge. Pelo contrário, tenho a impressão de que quanto mais abordado o assunto seja, mais ainda as pessoas fazem o contrário, como crianças fazendo birra.

O pior de tudo é que esse descaso com o meio ambiente não pode ser justificado como falta de conhecimento. Há pessoas muito bem instruídas, esclarecidas, que simplesmente se fazem de despercebidas, e costumam falar que tudo isso não passa de besteira. Sinceramente, seria bom se fosse. Seria bom que toda essa conversa sobre poluição do ar, sobre o uso exagerado de carros fosse apenas um monte de bobagens sem sentido, e que o ar que respiramos nas grandes cidades não fosse capaz de causar danos a longo prazo, como já foi comprovado em relação a doenças pulmonares e até câncer.

Me lembrei de tocar neste tema – talvez me repetindo -, após de ler uma ótima matéria na revista Trip sobre o ar, e depois que um conhecido me viu andando de bicicleta. Ele estava de moto, parou para me cumprimentar e perguntou o que eu queria pedalando. Como se eu estivesse indo contra algum tipo de evolução social do indivíduo, já que ao invés de estar andando em um carro novo – afinal, está “na hora” de eu trocar o meu, me dizem -, eu estava em uma humilde bicicleta.

Mas para que falar de “besteira”, não é mesmo?

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

SERES HUMANINHOS

Em outubro visitei uma creche municipal para realizar uma ação de Dia das Crianças junto com mais outras pessoas. Doamos dezenas de brinquedos que arrecadamos. Não levo muito jeito para interagir com os pequenos. Fico intimidado. Sim, é ridículo uma marmanjo se sentir acuado por um inocente serhumaninho de 50 cm. Mas fico. Deve ser porque, no fundo, quanto mais velhos vamos ficando, mais vamos temendo a sinceridade. E isso é o que os eles têm de sobra. O que devemos admirar, pois é uma virtude que está se tornando cada vez mais rara nas pessoas mais crescidinhas. Virtude que sempre foi menor, mas a situação está ficando cada vez mais crítica entre nós adultos-maduros-que-sabem-de-tudo.

Então começamos a distribuir aqueles brinquedos para a criançada. Os olhos brilhavam. Os sorrisos banguelas iam nas orelhas. Os gritos agudos em completa desafinação soavam tão bom quanto qualquer música. Era a sinceridade de expressar uma emoção. E criança é assim. Se está feliz, grita, ri, corre. Não escondem suas emoções com medo do que os outros irão pensar. É puro. E a sensação de presenciar essa pureza traz certa tranquilidade. É uma aula.

Em poucos minutos, elas já saíram da nossa volta e se misturaram pelo quintal de terra correndo com seus brinquedos. Fomos abandonados. E nem eram super brinquedos. Eram carrinhos, bonecas, alguns doces. Mas elas estavam encantadas e, principalmente, interagindo entre si. Isso foi muito bom de ver. Porque assim como a sinceridade vai ser tornando coisa rara, a interação entre as pessoas também começa a se diluir. E o pior, cada vez mais cedo. É comum vermos crianças trancadas nos quartos com computadores, celulares, exercendo pouca atividade social. Sendo que este tipo de atividade é de importância extrema para o desenvolvimento de um ser humano. A vida vai passar, alegrias e tristezas virão. E com elas é preciso saber conviver.

Mesmo não sendo mais crianças, ainda podemos resgatar um pouco de comportamento mais humano, sincero e espontâneo. É só olhar nos olhos delas, mesmo que você não leve jeito. Com certeza elas não vão se importar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE

O que mais temos na vida são incertezas. E justamente a única coisa que sabemos que irá acontecer, a todos, é o que nos assusta. Para alguns assusta mais. Para outros nem tanto. Mas o certo é que a morte ainda é um assunto delicado de lidar. Por mais que nos preparemos, sabendo que ela chegará, queremos adiar esse encontro o máximo possível. No entanto, é questão de tempo para que todos tenhamos o mesmo destino. Rico ou pobre. Feio ou bonito. Bom o mau. Vegetarianos e carnívoros. Coxinhas e petralhas. Todos, sem distinção, irão para o mesmo lugar. Só não sei qual lugar.

A morte me tocou – digo, me inspirou -, por ontem ter sido Dia de Finados, e eu ter perdido um parente há exatamente uma semana. E quando vemos de perto o rosto sem expressão de uma pessoa que nos deixou contrastando com rostos com muita expressão chorando às voltas, buscando um apoio para aguentar a pancada, percebemos o quanto somos insignificantes. E, principalmente, o quanto somos orgulhosos. Em diferentes níveis. Mas todos temos um pingo de orgulho. Acreditamos não precisar de ninguém, mas a verdade é que precisamos. E precisamos sempre.

Você vai morrer. Seus pais irão morrer. Sua namorada. Seus filhos. A ordem nem sempre é lógica, mas não se pode negar o fato, como se falar na morte fosse atrai-la. É preciso falar. Talvez quanto mais o assunto deixar de ser evitado, mais conseguiremos compreender o um pouco dos motivos de estarmos aqui. E descobrindo, quem sabe não passamos a avaliar melhor nossas atitudes. A valorizar mais as outras pessoas. A prestar mais atenção em tudo a nossa volta, e não apenas no que está diante de nossos olhos, ou apenas nas telas em nossas mãos.

Tudo isso pode parecer mera teoria. De fato é. Mas vale como um ponto de partida para olharmos no espelho e se perguntar o quanto da vida estamos desperdiçando com coisas insignificantes.