Todo mundo possui um pouco de saudosismo. Isso é bom. Quem não gosta de lembrar dos tempos passados? Não que eles fossem melhores. Até podem ter sido em alguns momentos, para algumas pessoas. Mas apenas a saudade, as lembranças e a nostalgia já nos passa uma sensação agradável que nos faz esquecermos um pouco os perrengues diários. Aqui temos um ponto engraçado. Se tratando do passado, até mesmo alguns perrengues se tornam motivos de boas lembranças. O que comprova que o tempo realmente é o melhor remédio para os problemas que enfrentamos.
Mas, o melhor mesmo são as lembranças leves e divertidas. Lembrei disso ao devorar a nova série do NetFlix, Stranger Things, praticamente uma homenagem aos anos 1980. Seus protagonistas são crianças desvendando mistérios em cima de suas bicicletas; ouvem fitas cassetes; falam em walkie talkies. É puro saudosismo, além, claro, do ótimo enredo. Só que isso é outro assunto, até mesmo porque não sei falar de séries sem dar Spoilers.
Então, assistindo a série me lembrei do tempo em que meus amigos e eu, como verdadeiros marceneiros, cortávamos madeiras, pregávamos – muitas vezes o dedo - , nossos próprios carrinhos de lomba. Hoje penso na inconsequência de nossos atos – e dos nossos pais que permitiam. Descíamos no asfalto, com um carro precário a 5cm do chão, chegando ao final do trajeto dando um cavalinho de pau, que muitas vezes resultava em uma capotagem e muitas risadas.
Também lembro das pipas que fazíamos com jornal e cola feita de farinha misturada com água. Brincadeira menos emocionante, mas nem um pouco menos divertida. Ficávamos sentados no campinho sentindo a pandorga flutuar suave lá no céu. Pequenas delícias que traziam grandes alegrias.
Conforme comentei antes, não significa que eram tempos melhores ou piores. Não podemos viver no passado. Pode ser piegas, mas basta vivermos bem o presente para no futuro termos um passado de lembranças saudáveis. Não que as bombinhas que estourávamos nas casinhas de carteiro da vizinhança nas vésperas de festas de finais de ano também não fossem divertidas, mas confesso que essas atitudes não precisam ser repetidas. Mas ainda pretendo ao menos terminar um álbum de figurinhas, pois nunca consegui.