quinta-feira, 28 de julho de 2016

UM POUCO DE SAUDOSISMO FAZ BEM

Todo mundo possui um pouco de saudosismo. Isso é bom. Quem não gosta de lembrar dos tempos passados? Não que eles fossem melhores. Até podem ter sido em alguns momentos, para algumas pessoas. Mas apenas a saudade, as lembranças e a nostalgia já nos passa uma sensação agradável que nos faz esquecermos um pouco os perrengues diários. Aqui temos um ponto engraçado. Se tratando do passado, até mesmo alguns perrengues se tornam motivos de boas lembranças. O que comprova que o tempo realmente é o melhor remédio para os problemas que enfrentamos.

Mas, o melhor mesmo são as lembranças leves e divertidas. Lembrei disso ao devorar a nova série do NetFlix, Stranger Things, praticamente uma homenagem aos anos 1980. Seus protagonistas são crianças desvendando mistérios em cima de suas bicicletas; ouvem fitas cassetes; falam em walkie talkies. É puro saudosismo, além, claro, do ótimo enredo. Só que isso é outro assunto, até mesmo porque não sei falar de séries sem dar Spoilers.

Então, assistindo a série me lembrei do tempo em que meus amigos e eu, como verdadeiros marceneiros, cortávamos madeiras, pregávamos – muitas vezes o dedo - , nossos próprios carrinhos de lomba. Hoje penso na inconsequência de nossos atos – e dos nossos pais que permitiam. Descíamos no asfalto, com um carro precário a 5cm do chão, chegando ao final do trajeto dando um cavalinho de pau, que muitas vezes resultava em uma capotagem e muitas risadas.

Também lembro das pipas que fazíamos com jornal e cola feita de farinha misturada com água. Brincadeira menos emocionante, mas nem um pouco menos divertida. Ficávamos sentados no campinho sentindo a pandorga flutuar suave lá no céu. Pequenas delícias que traziam grandes alegrias.

Conforme comentei antes, não significa que eram tempos melhores ou piores. Não podemos viver no passado. Pode ser piegas, mas basta vivermos bem o presente para no futuro termos um passado de lembranças saudáveis.  Não que as bombinhas que estourávamos nas casinhas de carteiro da vizinhança nas vésperas de festas de finais de ano também não fossem divertidas, mas confesso que essas atitudes não precisam ser repetidas. Mas ainda pretendo ao menos terminar um álbum de figurinhas, pois nunca consegui.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

PODER DE ATRAÇÃO

Ser bonito e atraente é o grande desejo nos tempos de redes sociais e compartilhamentos massivos de fotos. São caras e bocas e tantos biquinhos que, se pararmos para pensar, o bonito está começando a se tornar feio. No sentido de cômico. Não se trata apenas de uma questão de aparência, mas de chamar atenção. Custe o que custar.

Li esta semana uma matéria em uma revista que mostrava uma lista com nove coisas que, segundo a ciência, deixam as pessoas menos atraentes. Me chamou a atenção para a leitura o fato de serem fatos comprovados cientificamente. Por isso resolvi ler na íntegra, além de só a chamada principal, como costumamos fazer com as notícias em nossa timeline.

Não citarei todas, só as mais interessantes. Aquelas que acredito serem realmente importantes – no meu ponto de vista – para melhorar a atração, não no sentido sexual, mas social. Melhorar nosso convívio com outros seres humanos. Pois parece que andamos esquecendo um pouco de como isso funciona.

Diz a matéria que parecer estressado deixa a pessoa menos atraente. Parece óbvio, sim. Mas sempre é bom lembrar.

Outro detalhe apontado - não tão óbvio assim - é que, parecer extremamente feliz não transforma ninguém em um ser apaixonante. Um estudo utilizando fotos, mostrou que as pessoas que apareciam com posturas muito felizes e orgulhas eram escolhidas como as mais feias. Claro que não é para ser um mórbido, apenas pegar leve. Ser natural e tentar se aparecer menos já está ótimo.

E mais importante entre todas as coisas que deixam alguém menos atraente é não ter senso de humor. Apesar de ainda existirem pessoas que se acham o máximo fazendo um tipo misterioso e blasé. Dizem que são refinados e não riem por qualquer coisa.

O que fica claro mesmo é a necessidade de encontrarmos um equilíbrio. Sermos nós mesmos e aprendermos a lidar com nossos defeitos e os defeitos dos outros. E, principalmente, aprender a não dar tanta importância para listas de supostas pesquisas que encontramos em revistas.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

CURTO, LOGO EXISTO

É preciso plateia. O show nunca para. Não há mais intervalos e muito menos tempo para descanso. O próprio conceito de tempo parece estar se desconstruindo, como na clássica pintura do Salvador Dali. E todos buscam acelerar ainda mais esse tempo e preenche-lo. Na maioria das vezes, mais do que o tempo, parece que o que sempre precisamos preencher é a nossa autoestima de maneira insaciável, como se precisássemos, constantemente, estar provando algo para alguém. Quando na verdade não precisamos, a não ser para nós mesmos.

 Quando o filósofo René Descartes disse “Penso, logo existo”, nem sonharia que um dia o mundo seria com é hoje. Não digo que não gostaria, talvez até curtisse. Mas provavelmente postaria em seu Facebook algo como “Curto, logo existo”. E estaria resumindo a necessidade de obtermos infinitas apertadas naquele botão da rede social que todos adoram ver aumentando a quantidade. Há até quem mande uma mensagem para os amigos curtirem determinada publicação. E aqui já deixo um aviso. Quando um conhecido pedir para você curtir uma foto do churrasco de domingo, faça isso. Você estará contribuído com a diminuição de casos dessa espécie de depressão tecnológica. Você fará uma pessoa feliz com um clique, literalmente.

Todos sofrem um pouco de ansiedade por verem que seus contatos virtuais não estão curtindo suas peripécias e fotos marotas. Mas por favor, não precisam pedir para eu curtir algo. Com se não bastasse a preocupação de pagar contas, ligar para o 0800 da operadora de telefone devido as cobranças indevidas, marcar o dentista, concluir trabalhos em casa por falta de tempo de fazer no horário de expediente, ainda tenho que anotar na minha agenda que preciso apertar o botão “curtir” da foto de uma taça de vinho no Face do fulano? Enquanto eu estou tomando um refrigerante, geralmente sem gás porque já estava aberto há dois dias.

Assim como o conceito de tempo parece estar se transformando, o conceito da palavra curtir também parece. Da expressão que remete a uma apreciação muito forte por algo, passa a ser vinculada a uma questão mais quantitativa do que qualitativa, onde os números valem mais do que tal apreciação. Mas fiquem à vontade em curtirem esta coluna quando eu a postar no meu perfil.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

COMPORTAMENTOS DESCOMPORTADOS

Precisamos falar sobre inconveniência. Aquele comportamento que certas pessoas têm de não respeitar o espaço do outro. De falar nos momentos que seria melhor se continuassem imersas na tela do celular. De ter certeza que sabem de tudo e de todos, das teorias futebolísticas ao segredo da vida. Você deve conhecer alguém assim. Uma única pessoa. Eu conheço, e até não são más pessoas. Talvez falte um pouco de terapia, sei lá. Ou um puxão de orelha mesmo. Mas a convivência não chega a ser insuportável.

Esses comportamentos inconvenientes, por um lado, servem para aprendermos a não agir de tal forma. Observar para não cometer o mesmo erro.  Simples assim. O problema é que, às vezes, mesmo observando e buscando jurar para todos os santos que não seremos inconvenientes, em determinado momento, lá estamos, por exemplo, interrompendo alguém no meio da conversa entre amigos na mesa do bar. Ou gritando para falar com alguém que está a meio metro de nós. São deslizes. Todos cometemos deslizes. Sorte que percebemos. O grande mistério são aqueles que não se dão conta de sua chatice – para ser mais direto – e, ao invés de tratarem esse defeito, vão o alimentando. E assim, a coisa começa a tomar proporções assustadoras. Começamos a ficar com medos dessas pessoas. Mesmo que nossa educação diga que precisamos respeitar o semelhante. A questão é que tais pessoas já não são mais tão semelhantes, parecem seres vindos de outro planeta querendo, de alguma forma, nos atingir. Mas a dica é ser forte e encarar o bicho. Ninguém merece ser ignorado. Afinal, somos seres civilizados.

Talvez o comportamento inconveniente seja um mecanismo de defesa para algum tipo de insegurança. Talvez seja algum tipo de sintoma de hiperatividade não tratada. Ou um desejo reprimido que o inconsciente fica trazendo à tona. Bem, neste caso, só se for um desejo malévolo, para tamanha mania de perturbação do espaço alheio. Complexo de superioridade? Não sei, e deixo o assunto para especialistas descobrirem, antes que eu comece a me tornar inconveniente escrevendo isto.