Enquanto fazia uma caminhada no final do dia ouvi duas mulheres conversando. E algo que consegui perceber foi uma certa preocupação por ainda não terem comprado os presentes de Natal. Senti que o comentário sobre esse esquecimento foi sincero e até mesmo carregado por ansiedade. Realmente estavam preocupadas.
Coincidentemente, este tipo de angústia aumenta na mesma proporção que aumentam os comentários sobre uma certa diminuição do encanto dessa data. Neste sentido, sim, creio que deveria haver uma certa preocupação. Afinal, como todos os anos somos lembrados, o que realmente importa são as confraternizações. A união. O respeito. O que importa é a sinceridade nos relacionamentos entre as pessoas. Na medida em que os anos passam, parece que mais acelerada a vida fica e menos tempo para um olhar interior sobra. Mais aceleradas ficam as nossas interações. E parece que queremos compensar estes afastamentos com presentes. Pode até ser mais fácil passar o cartão de crédito para comprar um produto e depois entrega-lo para alguém. O problema é que muitos não vão além deste gesto.
Por isso que não devemos nos preocupar com as tais compras de Natal. Claro que é sempre divertido dar e também receber alguma lembrança. Só não podemos ficar focados apenas nestas objetividades. Não precisa ser motivo de preocupação. Todos sabemos que há muitos outros motivos para nos preocuparmos, no entanto, muitas vezes são esses verdadeiros motivos que evitamos.
Por sorte esse tipo de posicionamento egoísta não é a maioria – ao menos assim tento acreditar -, e diversas pessoas e entidades costumam se unir para ajudar aqueles que não têm tempo para se preocuparem com compras de Natal. Inclusive, são tipos de ajuda que acontecem durante o ano inteiro.
Se ainda não comprou algum presente, ainda dá tempo. Só não torne isso uma preocupação.