quinta-feira, 25 de agosto de 2016

E SE...

Dúvidas. Dúvidas. E mais dúvidas. Quanto mais o tempo avança, mais aumentam as dúvidas. São diferentes tipos de opções para tudo. Do creme dental ao sabor do churros. Sim, pois agora existem churros gourmet, com opções até salgadas. Churros salgados. Salgados. E assim vamos enchendo nossas cabeças de indecisões que ficam cada vez mais complexas e com cada vez maior capacidade de nos fazer pensar se escolhemos o certo. Como se houvesse uma certeza sobre o certo e o errado. Existem apenas escolhas. Mas muitos ficam se perguntando como seria se tivesse feito uma opção diferente.

E se... eu tivesse aceitado aquela oportunidade de emprego? E se... eu tivesse largado aquele emprego para fazer aquela viagem para a Austrália? E se... eu tivesse economizado 10% do meu salário desde o primeiro emprego? E se... eu tivesse escolhido o churros salgado? Ouço amigos falando “e se...” toda vez que os vejo. Tem pessoas que falam mais essa expressão do que um “bom-dia”. O que pode ser apenas um gatilho para angustias sem sentido.

Quanto menos nos questionarmos sobre como seria se tivéssemos feito determinada opção, mais leve levaremos nossas vidas. E é disso que precisamos. Leveza. E não de ansiedade. Se determinada escolha foi feita, foi porque no fundo era aquilo que você achou que era melhor naquele momento. O momento. Pensemos mais no momento, por favor. E, convenhamos, nada mais chato do que uma pessoa que fica lamentando em nossa volta, se arrependendo de tudo. Como se ela fosse dona de todos os problemas do mundo, e os outros vivessem em um mar de rosas. 

Claro que, em determinados momentos é necessário fazermos reflexões mais aprofundadas antes de certas escolhas. Nem todas as coisas são tão simples. Apenas não precisamos deixar ainda mais complicadas. De complicado já basta decidir em comer ou não um alimento que a vida inteira foi doce, e, agora, tem sua versão salgada.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O PAPEL DO PAPEL

Alguns dizem que é saudosismos. Outros dizem até mesmo ser mania. Um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) – se bem que, em certa medida pode até ser. O que importa é que eu gosto de sentir o cheiro dos livros enquanto os leio. Assim como o dos jornais e das revistas. Rola uma certa proximidade. O que não acontece com os textos digitais.

Não apenas o cheiro, mas sentir o objeto em mãos, a textura do papel, o peso. Tenho a impressão que tudo isso facilita a compreensão da leitura. É uma imersão, sem distrações. O foco constante e aprofundado apenas no deleite de uma única leitura. Digo uma única, pois enquanto estamos lendo algo em plataformas digitais é muito comum pararmos no meio para abrir algum outro site, ou, se estivermos no celular e tablet, não resistirmos e abrir aquele vídeo enviado no grupo do WhatsApp. Atire a primeira pedra quem nunca disse “só vou responder essa mensagem e continuo a leitura”? Uma mensagem de várias.

Não estou fazendo esta reflexão aqui por dedução minha. Recentemente li um artigo na internet. Sim na internet. Afinal, preferir o papel, não significa ignorar o digital. Ao menos era curto, e não deu tempo de me distrair, exceto com um anúncio de como ganhar dinheiro sem sair de casa. Enfim, voltando ao raciocínio. No tal artigo, uma linguista americana chamada Naomi Baron, afirmou que, quem lê no papel, tende a se dedicar à leitura de forma mais contínua e por mais tempo. Além disso, tem mais chances de reler o texto depois de concluído. Sem contar que a retenção da leitura fica melhor. Legal, né? 

Claro que sabemos que o digital está tendo cada vez mais espaço e receptividade, e, futuramente, será algo normal para as próximas gerações. O que não deixa de ser um pouco incômodo. Será que mesmo as próximas gerações nascendo entre textos digitais terão a mesma capacidade intelectual das gerações que se desenvolveram entre os papéis? Confesso ficar meio inseguro com a resposta que possa haver para isso.

De qualquer forma, enquanto ainda a tinta e as folhas não forem extintas, seguirei ao lado delas. Mas não ficarei chateado se lerem esta coluna online também, no Facebook ou no meu blog brasacronicas.blogspot.com, onde guardo todas elas.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

SEJAMOS TORCEDORES

        Eu já pensei em ser atleta. Isso há muito tempo atrás, quando eu ainda não tinha consciência de que eu simplesmente não servia pra coisa. Era sempre o último a ser escolhido para o time da pelada. Minha miopia me fazia confundir quem eram os adversários e quem eram os companheiros do time. Com o passar dos anos decidi abandonar de vez a vida de atleta profissional. Agora me conformo com algumas corridas na praça e academia.

No entanto, ao contrário do guri desajustado que eu era, hoje existem milhares de garotos e garotas que possuem um talento nato para o esporte. Com pouco ou nenhum treinamento, conseguem se destacar de forma diferenciada. Por sorte, muitos são descobertos e conseguem levar o sonho em frente, profissionalizando-se, conquistando espaços e orgulhando a família. Dessa gurizada, muitos estão lá no Rio participando de uma primeira Olímpiada. Imaginem alguém que passou praticamente sua vida toda - visto a pouca idade de alguns atletas -, se dedicando da forma que fosse possível e, certo dia, estar representando o país inteiro.

        Pois é esta imaginação que a grande maioria das pessoas ignora quando só tem olhos para críticas, para o rancor, enfim, para a pura rabugentisse mesmo. Claro que estamos em crise política e financeira. Mas o que aqueles atletas que estão realizando o sonho de participar de uma competição deste tamanho têm a ver com isso? Eles só fizeram o trabalho deles. Estudaram, treinaram, sofreram. Se dedicaram. E querem mostrar a sua arte para que a gente torça por eles. Para que a gente os parabenize e se emocione. Talvez este seja nosso problema. Estamos perdendo a capacidade de torcer, de nos emocionar. É mais fácil chutar o pau da barraca e brigar contra “tudo o que está aí”. Ao menos, se for brigar, que briguemos com argumento. Que olhemos para nossos atos cotidianos. Que saibamos identificar nossos próprios erros. Que consigamos debater ao invés de apenas escrever comentários inflamados em qualquer tipo de publicação na internet. E podemos começar a aprender isso tudo olhando nos rostos de felicidade dos nossos atletas que estão disputando sua primeira medalha.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

EM CENA

Dizem que precisamos ser nós mesmos. Ser verdadeiros e espontâneos a fim de expressarmos nossas verdadeiras personalidades. Basta agora saber qual das personalidades, afinal, em cada momento do dia, em cada contexto onde estivermos inseridos, usamos uma determinada personalidade. As tais máscaras sociais que cada um leva consigo para cima e para baixo, muitas vezes sem nem se dar por conta.

Carregarmos essas máscaras não significa que somos pessoas falsas, mas sim, que somos pessoas moldadas para agirem de determinadas formas em determinadas ocasiões. Se isso é bom ou ruim, eu não sei. Depende da máscara que eu estiver usando.

Mas creio não ser tão ruim, não. Até porque não seria interessante chegar na reunião do trabalho falando como se estivesse com os amigos assistindo a uma partida de futebol. Muito menos chegar na casa dos parentes se comportando como se estivesse na festa open bar da turma da faculdade. Claro que para toda regra há uma exceção. Na verdade são elas que dão graça às regras.

A verdade é que não podemos simplesmente arrancar essas máscaras dos rostos e jogar fora – apesar de dar muita vontade, às vezes. Precisamos apenas guardá-las sempre próximas, para que elas se entendam e possam conviver em harmonia. Cada vez mais o teatro da vida vai se aperfeiçoando, os atores vão se especializando, logo as performances de cada personagem vão ficando cada vez mais complexas. E para acompanharmos esta complexidade, devemos estar em constante movimento e aprendizado.

Só é preciso saber os momentos certos de se entrar em cena. Ter segurança. Ter equilíbrio mental. Aprender a relaxar, respirar, falar, gritar, enxergar. Aprender a aprender. Usar o tempo a favor e não retirar o tempo do outro. O outro deve fazer parte de uma unidade multifuncional, na qual também temos nossa cota. Dessa maneira, é possível acompanhar o espetáculo de maneira mais intensa e compreensiva, para no final podermos aplaudir e sermos aplaudidos. De preferência de pé.