quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O PAPEL DO PAPEL

Alguns dizem que é saudosismos. Outros dizem até mesmo ser mania. Um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) – se bem que, em certa medida pode até ser. O que importa é que eu gosto de sentir o cheiro dos livros enquanto os leio. Assim como o dos jornais e das revistas. Rola uma certa proximidade. O que não acontece com os textos digitais.

Não apenas o cheiro, mas sentir o objeto em mãos, a textura do papel, o peso. Tenho a impressão que tudo isso facilita a compreensão da leitura. É uma imersão, sem distrações. O foco constante e aprofundado apenas no deleite de uma única leitura. Digo uma única, pois enquanto estamos lendo algo em plataformas digitais é muito comum pararmos no meio para abrir algum outro site, ou, se estivermos no celular e tablet, não resistirmos e abrir aquele vídeo enviado no grupo do WhatsApp. Atire a primeira pedra quem nunca disse “só vou responder essa mensagem e continuo a leitura”? Uma mensagem de várias.

Não estou fazendo esta reflexão aqui por dedução minha. Recentemente li um artigo na internet. Sim na internet. Afinal, preferir o papel, não significa ignorar o digital. Ao menos era curto, e não deu tempo de me distrair, exceto com um anúncio de como ganhar dinheiro sem sair de casa. Enfim, voltando ao raciocínio. No tal artigo, uma linguista americana chamada Naomi Baron, afirmou que, quem lê no papel, tende a se dedicar à leitura de forma mais contínua e por mais tempo. Além disso, tem mais chances de reler o texto depois de concluído. Sem contar que a retenção da leitura fica melhor. Legal, né? 

Claro que sabemos que o digital está tendo cada vez mais espaço e receptividade, e, futuramente, será algo normal para as próximas gerações. O que não deixa de ser um pouco incômodo. Será que mesmo as próximas gerações nascendo entre textos digitais terão a mesma capacidade intelectual das gerações que se desenvolveram entre os papéis? Confesso ficar meio inseguro com a resposta que possa haver para isso.

De qualquer forma, enquanto ainda a tinta e as folhas não forem extintas, seguirei ao lado delas. Mas não ficarei chateado se lerem esta coluna online também, no Facebook ou no meu blog brasacronicas.blogspot.com, onde guardo todas elas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário