quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

ONDE COLOCARAM O DIÁLOGO?

Existem duas categorias que estão se proliferando como mosquitos do Zika Vírus. E fazem tão mal quanto. São os pseudoespecialistas e os odiadores. E vale admitir que, nós, em muitos momentos, também nos encaixamos em algum desses dois perfis. Nem que seja por um breve instante, sem perceber, encarnamos tais personagens.

A primeira categoria, diz respeito àqueles que acreditam dominar o conhecimento sobre qualquer tipo de assunto. Bastam alguns segundos em alguma fila de espera, por exemplo, para o sábio surgir e começar a argumentar sobre, digamos, teorias da física, ou mesmo a maneira correta de tratar alergias através de receitas milagrosas, afirmando que, tomar remédios só serve para alimentar uma indústria gananciosa, e, que ao invés de nos curar, apenas prejudicam mais.

E, sim, muitos de nós também agimos, em algum momento, como se tivéssemos a tese correta.  A palavra final. Enfim, muitos de nós já agimos de maneira tola, dissertando conceitos – sem embasamento – e ainda por cima sem querer ouvir opinião contrária. Falo sem embasamento porque é justamente por esse motivo que resolvi chamar a atenção sobre esses tais pseudoespecialistas, pois me refiro às pessoas que leem apenas a manchete da postagem na rede social, ou um parágrafo na Wikipédia e acreditam estarem adquirindo conhecimento. Claro que, quanto mais conhecimentos buscarmos, pessoas melhores seremos, com melhor vocabulário, mais tolerantes e educadas. Entretanto, é preciso ter consciência de que não podemos querer nos colocar como os donos das palavras. Afinal, uma boa fonte de conhecimento é o diálogo.

Agora, a segunda categoria, os chamados haters (odiadores), é perigosa, invejosa, que não agregam nada. São os disseminadores do ódio, principalmente pela internet, já que acreditam estarem anônimos. Em alguns casos há violência psicológica, racismo, mas também são encontrados em sutilezas, que nós mesmos cometemos de maneira inconsciente, como dizer que, se alguma pessoa fala de livros, é metida a intelectual, mas, se ela não falar em livros, é ignorante. Seria engraçado se não fosse o fato de tais situações apenas levarem à brigas egocêntricas que só afastam as pessoas umas das outras, ao invés de somarem. Ou seja, novamente falta o diálogo. Por isso já deixo avisado que esse texto está aberto às discussões antes que eu mesmo possa acabar sendo encaixado em alguma dessas categorias.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

MAU HUMOR. O MAU DOS TEMPOS

Como cantam (ou cantavam, se preferirem, já que a banda não está mais na ativa) os Los Hermanos, todo o carnaval tem seu fim. Sei que o evento mais popular do Brasil recém irá começar, mas lembrei da música do grupo carioca porque alguns críticos de plantão não param de dizer que a alegria do carnaval é temporária, e quando o evento terminar, muitos se arrependerão de ficar brincando e pulando em um momento tão tenso quanto o que vivemos atualmente. Enfim, pessoas que acreditam que se sentirem felizes, se sorrirem com bom humor, estarão de alguma forma, traindo a sua pátria. Devemos ficar emburrados e com espírito de porco. Assim pensam muitos. Se seguirmos com o bom humor, estaremos sendo desrespeitosos. Sim, muitos pensam desta maneira. Inclusive, que comemorar o carnaval é uma afronta às dificuldades que a maioria dos brasileiros passa.

Mau humor não tem nada a ver com enfrentar problemas. É apenas um estado de espírito infeliz que atrairá mais problemas. Seriedade é uma coisa, rabugentice é outra. Se alguém quer se divertir, que o faça. Aceite a opinião. E muitos que se divertem também passam por dificuldades que não sabemos. E, se não sabemos, é porque esses indivíduos aprendem, melhor do que ninguém, como lidar com tais dificuldades. Talvez, se divertir, como pular o carnaval, por exemplo, seja justamente uma forma que encontram para fugir, nem que seja por alguns dias, de seus perrengues. É uma válvula de escape que pode ajudar a buscar mais energia e seguir em frente.

Por isso, ficar lamentando que, após o carnaval, a realidade virá à tona e o desespero tomará conta de cada brasileiro não irá ajudar em nada. Só irá piorar. Afinal, o perfil de quem só reclama, de quem só vê o copo meio vazio, é o perfil de quem não costuma mexer uma palha para ajudar. Pelo contrário, com suas opiniões negativas, conseguem, de maneira impressionante, criar uma energia igualmente negativa que atrai mais problemas para si e para quem está em sua volta.

Independente do seu gosto tente, ao menos por adlgum momento, deixar de lado o mau humor e o politicamente correto, que vem esfriando cada vez mais as relações. Assim, poderá enxergar o copo meio cheio.