quinta-feira, 27 de abril de 2017

UMA QUESTÃO DE ESTÍMULO

Existe uma multidão sempre buscando enlouquecidamente a felicidade, como se ela fosse algo tangível que está em alguma prateleira à espera dos consumidores. Só que ela não está, e isso acaba frustrando essas pessoas que querem tudo empacotado e de mão beijada. Isso porque essa felicidade diz respeito a todo um processo constante de desenvolvimento de cada um, que inclui escolhas e caminhos a serem seguidos. Obviamente sem levar em conta julgamentos por essas tais escolhas que temos que tomar. Cabe a cada um de nós decidirmos o que será melhor. Tendo isso em mente já aumentamos um nível no quesito felicidade.

Falo em nível, porque ao invés de se buscar essa tal felicidade, é preciso se dar por conta que ela já está presente dentro de cada indivíduo, precisando de alguns estímulos aqui e outros ali. Alguns talvez precisem de mais estímulos pra pegar no tranco aquele sorriso já meio enferrujado. Mas o importante é que esse sentimento tão buscado já está aí. Só dar uma sacudida na sua mente que ele vai surgir.

Com certeza não significa que tenhamos que estar felizes em tempo integral. Com os absurdos que vemos e ouvimos todos os dias é preciso também dar umas chutadas de baldes para colocar pra fora aquelas revoltas que nos inquietam. Só não vale exceder os limites. Nem mesmo chutar o balde para o lado de outra pessoa. Em primeiro lugar é preciso lembrar que cada um tem seus problemas, e nada mais chato do que ficar ouvindo lamentos alheios. Já temos os nossos perrengues, não é mesmo? A não ser que o ouvinte esteja disposto a emprestar o ombro amigo - o que é uma atitude louvável, e todos devem praticar esse empréstimo vez que outra. Só nunca atire seus tormentos sem aviso prévio no colo dos outro. E nunca tente encontrar em alguma prateleira algo que já está à sua disposição.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

CERTAS COISAS SÃO INCOMPREENSÍVEIS

Quanto mais se reclama, mais as coisas pioram. Sempre ouvi isso, mas como a maioria dos adolescentes dos anos 90, grudados em seus walkmans com coletâneas gravadas em fitas cassetes, eu achava essa sugestão uma caretice. Entretanto, hoje entendo que me enganava, pois também venho aprendendo a reclamar menos. E a ouvir mais para entender melhor outros posicionamentos, mesmo que algumas vezes exija certo esforço para escutar com atenção e chegar ao entendimento de algumas opiniões contrárias, ao invés de simplesmente ignorar como se o outro fosse um ser de outro planeta. Claro que toda regra tem uma exceção, e talvez existam mesmo uns extraterrestres perdidos por aí com suas teses.

De qualquer forma é preciso, na medida do possível, tentar entender, por exemplo, a criação de um movimento chamado “Armas Pela Vida”. Sim, A-r-m-a-s P-e-l-a V-i-d-a. Como não consegui, tentei me esforçar melhor decifrando o logo do movimento estampado nas camisetas dos participantes. Trata-se de um desenho de um coração com uma arma dentro. Genial, né? Não adiantou. Ainda não havia entrado na minha cabeça, e até me constrangi, pois um engajamento desse tipo deve ter vindo de mentes extremamente desenvolvidas.

Fiquei com minha frustração pensando em silêncio junto de um xícara de café. E a verdade é que existem coisas que nós ouvimos e entendemos, sim, mas de tão absurdas, acredito que algum mecanismo de defesa em nosso cérebro tenta bloquear a capacidade de compreensão. E é preciso muita para absorver que pessoas defendam que possamos andar armados. Fiquei imaginando um casal indo tomar um chimarrão na praça com seus filhos e de repente se dá por conta que esqueceu a arma. “Só não esquece a cabeça por que está grudada. Garanto que nem comprou munição. Isso que falei mil vezes que estavam em promoção as balas de 38. Aliás, você não tem um 38, apenas um calibre 22. Até foi bom não trazer mesmo aquela vergonha”, reclamaria a mulher para seu esposo atrapalhado enquanto voltariam para casa, depois de desistirem de tomar um chimarrão por esquecerem o símbolo da vida. Uma arma.