Já faz quase um mês que o ano iniciou. Tempo curto, mas provavelmente muitas promessas que foram feitas lá na virada do ano já tenham sido esquecidas. Assim como o ITPU e IPVA também tenham sido esquecidos por muitos. Disse-me um senhor com fisionomia de sábio e olhar distante entre a fumaça do cigarro, enquanto eu tomava um pingado na padaria, que a vida só volta ao normal em março, e, que durante janeiro e fevereiro, tudo fica esquecido. Pedi outro pingado e ficamos conversando sobre esse assunto que acredito ser um senso comum.
Mas se tratando das tais promessas que a humanidade faz enquanto pula ondinhas e suja as praias, o esquecimento costuma ultrapassar março e se estender até o próximo réveillon. Aliás, as promessas de um mês atrás, provavelmente já tenham sido uma prorrogação lá da virada de 2015 para 2016.
A verdade é que as promessas parecem que são feitas justamente para não serem cumpridas. Do contrário, o número de fumantes teria diminuído, as academias estariam lotadas o ano inteiro e as pessoas seriam menos estressadas e ficariam mais tempo fora das redes sociais.
Deve ser pelo fato de ninguém gostar de imposições. Mesmo que sejam feitas por nós mesmos. É como se alguém que dissesse para si mesmo que vai parar de fumar quisesse mostrar para o seu eu interior que é dono do seu próprio nariz, rebelando-se, dessa forma, com seu próprio pensamento. Isso sim é que pode ser chamado de alguém osso duro de roer.
Talvez, então, seja o caso de prometermos sempre o oposto. Diga que irá fumar cada vez mais, abandonará as caminhadas e academia, diminuirá as porções de frutas e legumes e não irá mais fazer exames periódicos – a não ser que passe mal. Provavelmente, quando essas situações forem mentalmente visualizadas, não iremos querer segui-las. E teremos as promessas cumpridas. Ou melhor, quebradas.