O bom mesmo é ser uma pessoa respeitada. Que todos admiram e sonham ser igual um dia. Na verdade invejam ser igual, mas o verbo “sonhar” soa menos agressivo. Eu conheço gente assim, que babam por ter a grama tão verde quanto a do vizinho. O problema é que a grande maioria dessas pessoas almeja apenas isso. A grama. Ou seja, querem o superficial, querem a casca que irá ser apresentada ao grande grupo.
Um exemplo é um dos maiores amores dos brasileiros. O carro. Admito que não conheço a cultura de outros países. O máximo que a verba me permitiu foi experimentar as empanadas da Argentina. Bem, mas o certo é que o culto ao carro aqui no Brasil beira ao exagero. Não importa por quanto tempo se ficará endividado, desde que você possa chegar a uma festa de aniversário, ou na missa de domingo com o seu possante cheirando a novo para que os sorrisos comecem a se derreter massageando o seu ego. Agora você é o cara. Tudo bem que tenha esquecido de pagar a prestação da faculdade, a casa, e reduzido a sua cesta básica. Agora sua pessoa terá uma aceitação maior dentro da firma.
A verdade é que o problema, obviamente, não é o fato de alguém desejar comprar um carro do ano. Por sorte vivemos em um país livre. O ponto aqui, é a percepção que a sociedade tem em relação a posses de terceiros. O carro é só um exemplo. Já ouvi indivíduos elogiarem alguém com brilho nos olhos e me dei por conta que todos os argumentos direcionados ao elogiado eram devido a sua conta bancária, marcas de roupa e, claro, a “nave” que ele dirigia. Em nenhum momento ouvi algo relacionado ao seu comportamento e atitudes como ser humano.
Por sorte, mesmo esse posicionamento materialista sendo bastante forte dentro da sociedade, é possível perceber que, hoje em dia, há um aumento expressivo de troca de valores, como o consumo colaborativo e a economia criativa. Mas isso já é tema para outro debate. Por enquanto vou voltar ali para o congestionamento.
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