Muitas pessoas sofrem com a timidez. Digo sofrem, porque me refiro aos casos extremos, onde o indivíduo trava quando precisa, por exemplo, falar em público – mesmo que seja na frente dos amigos em um jantar do seu próprio aniversário -, e não consegue expressar nada do que tinha em mente, mesmo que tenha havido uma preparação para isso. Mesmo que esteja diante de conhecidos. Mesmo que ele já tenha dito para si mesmo diante do espelho: “vou tirar de letra e vou conseguir expressar tudo o que eu tenho para dizer, afinal já me preparei para isso. Conheço toda essa gente. Eu sou “O Cara”.
Mas, logo que o momento de encarar os demais chega, “O Cara” começa a suar frio. Suor que escorre até pelas palmas das mãos. Mãos que ficam com os dedos inquietos diante dos olhares fuziladores de almas. Taquicardia. Gagueira. E quando ele acha que já foi consumido pelo seu pior medo, alguém (normalmente quem tem a personalidade oposta, e nunca sente vergonha de nada) faz uma piadinha para que se comece a falar antes que a comida esfrie. Então o calor aumenta e suas faces ficam ruborizadas. Com a visão periférica ele percebe que alguns já notaram seu rosto avermelhado e ainda comentam sobre isso.
No entanto, quando o indivíduo ficou ruborizado lá no jantar diante de todos, deveria se orgulhar, mas não se sua vergonha, e sim de sua honestidade. Ao menos é o que dizem cientistas. Conforme a primatologista Frans de Waal, a vermelhidão no rosto é um meio de promover a confiança e a honestidade. Ou seja, os tímidos não precisam mais se preocuparem em estar com a vergonha na cara, mas se motivarem por estarem com a verdade na cara. Pensar sobre isso, por um lado pode ser consolador, mas, por outro, assustador, já que onde mais deveriam aparecer rostinhos rosados, o que vemos é inexpressividade, mesmo quando diante de câmeras argumentando sobre propostas políticas que nunca saem do papel.
Então, além de encarar os olhos das pessoas, encare também suas bochechas.
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