quinta-feira, 24 de março de 2016

CONFORTO SÓ NO NOME

Um exemplo de sensação boa é quando tudo parece estar no seu devido lugar. Tudo milimétricamente encaixado. O tempo até parece correr a nosso favor, acelerando e diminuindo seu ritmo de acordo com o nosso, fazendo com que cumpramos nossos deveres diários para que, no outro dia, descansados, possamos iniciar nosso caminho com segurança e estabilidade.

Quando acontece isso, realmente a sensação é boa, e percebemos que ela começa a se repetir. Mas, paradoxalmente, na medida em que essa sensação boa se repete, ela pode começar a deixar de ser tão boa assim. Não passa a ser ruim. Apenas diminui o tesão. E, o mais esquisito de tudo, é que aceitamos e seguimos assim mesmo. Isso porque finalmente entramos na tão comentada, a expressão mais usada em palestras motivacionais, a temida – nem para todos – zona de conforto.

E essa tal zona de conforto é um tanto estranha. Afinal, como pode algo ter a palavra “conforto” no nome, e, ao mesmo tempo, ser tão desconfortável. Ok. Ok. Há quem adore ficar dentro de sua bolha. Mas a verdade é que precisamos, dentro do possível, buscar algumas escapadas desta zona. Precisamos, sim, de uma zona, mas no sentido de desconstrução, de bagunça, de enfrentamentos. Depois se coloca ordem novamente. Ou não. 

O importante é arriscar e abandonar o estado de inércia, tão fácil de entrar, e tão difícil de fugir. Uma maneira de se começar a praticar é não temer o ridículo. Nosso Luis Fernando Veríssimo já disse (espero que tenha sido ele, pois hoje atribuem diversas frases às pessoas famosas sem nem ao menos saber se foram delas mesmas. E sim, eu busquei na internet, por isso não sei da autoria oficial. E o que importa, não é mesmo?) que desconfia que a única pessoa realmente livre, é a que não tem medo do ridículo. Bem, eu também desconfio disso. E aprendi isso também com um professor. Ele fazia piadas diante da turma, sem graça alguma. Na verdade, horríveis. Perda de tempo, sabe? Mas não dava a mínima para qual seria a reação dos alunos. Ele apenas quis fazer a piada. Pronto. E ele é uma pessoa que se expressa perfeitamente em todos os ambientes e diante de qualquer pessoa. Diariamente ele sai da zona de conforto. Se é que ele tem uma.

Então, se você está pensando em começar uma aula de canto, entrar em um curso de filosofia daquele que sua família dirá “para que serve isso? ”, ou simplesmente convidar uma pessoa para sair arriscando ouvir um “não”, faça isso hoje, e evite que tudo pareça se encaixar perfeitamente, com o tempo correndo a nosso favor. A sensação será tão boa quanto.

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