Reclamar que as coisas eram melhores antes. Querer ter nascido em outra época. Há até pessoas que dizem sentir uma espécie de saudade de tempos que não viveram, afirmando que isso é uma espécie de sinal que indica que elas realmente não pertencem à contemporaneidade.
Eu mesmo já pensei em como poderia ser bom ter nascido em um período mais distante, ter conhecido coisas que descobri somente através de filmes e livros. Por sorte me dei por conta que me enganava ao pensar dessa forma. E me enganava feio. Percebi isso quando, há poucos dias atrás, tive que enfrentar o dentista e seus assustadores bisturis e a agulha de anestesia. E, paradoxalmente, a bendita agulha é o que me fez sentir-me confortável. Afinal, graças a ela não senti dor. Então agradeci aos céus por não ter nascido em alguma época distante, onde eu provavelmente teria simplesmente meu dente arrancado sem anestesia. Coisa prática. Na verdade, eu nem teria sido atendido por um dentista, pois em meados do séc. XIX, os médicos tinham nojo de mexer na boca dos pacientes, e, dizem, os barbeiros assumiam os bisturis. Aliás, os alicates improvisados.
E o que dizer das execuções, dos direitos negados às mulheres, das mortes por varíola, sarampo, da lobotomia, que era o procedimento realizado para tratar problemas mentais, como a depressão. Basicamente o crânio do paciente era furado e destruíam as conexões do córtex pré-frontal do cérebro com outras regiões. Simples assim.
Tudo bem que algumas situações extremas que aconteciam foram realmente há muito tempo, e quando as pessoas dizem que queriam ter vivido em outra época, elas se referem a datas que já sejam ali pela segunda metade do século XX. Mas, apesar das melhores bandas terem surgido, e do engajamento dos movimentos socioculturais, não podemos esquecer o conservadorismo exagerado, ditadura e moralismos. Além de tudo a televisão era em preto e branco, não havia internet e nem tantas variedades de cerveja. Portanto, relaxe, apesar de muitas coisas ainda precisarem melhorar, não se desespere, pois ao invés de contribuir, o desespero só vai piorar as tomadas de decisões.
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