quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O RECADO DO ANIVERSARIANTE

No último dia 26, Luis Fernando Veríssimo completou 80 anos. Com dezenas de personagens e histórias imortalizados em nossas memórias, nos apresentando de maneira bem humorada as trivialidades do nosso cotidiano. Em suas crônicas nos deparamos com os mais variados temas, porém, de uma maneira menos densa do que encontramos em outras leituras. Isso porque ele é uma pessoa que reconhece que não vivemos em um dos melhores países do mundo, mas que também não precisamos nos atirar ao fundo de um poço de lamentações sem fundo.

Lembro do aniversário dele, e da forma leve de seus textos, devido a sua própria personalidade. Introspectivo, de poucas palavras faladas, discreto, o criador do Analista de Bagé sempre foi uma pessoa de maneira contida, mas nem por isso desatento e por dentro do que acontece a nossa volta. Só que, provavelmente, ele não ache necessário sair demonstrando desesperos para todos os lados. Não que não podemos nos desesperar com problemas, mas é preciso que saibamos administrar esses desesperos. Assim como nossos medos e aflições. Se deixarmos que eles nos dominem, aí a situação só fica ainda mais desesperadora. É fato.

Até entendo muitas pessoas constantemente estarem de caras amarradas. No fundo elas querem demonstrar que estão descontentes e ficam emburradas se tornando até hostis com seus amigos. Como se esta hostilidade fosse melhorar algo. Não é demonstração de raiva que vai melhorar as coisas. Aliás, vai piorar, talvez até se consiga uma úlcera de companhia. 

Portanto, precisamos aprender a tomar o controle de nossos conflitos internos e externos de modo a convivermos melhor tanto com os outros como com nossas próprias inquientações. E como recomendação para se começar a pôr em prática esse aprendizado, talvez uma dose diária do nosso octogenário Luis Fernando Veríssimo ajude. Além de ajudar, ainda será uma boa fonte de prazer aliada ao conhecimento. Mas quem ainda preferir uma úlcera, tem toda a liberdade de escolha.

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