quinta-feira, 1 de setembro de 2016

APRENDA A VOLTAR

Era um dia bonito. Fazia sol. Nem calor, nem frio. Era um prenúncio da primavera, com um leve perfume de flores no ar, mesmo faltando um mês para a estação mais aguardada. Creio que seja a mais aguardada, já que não congelamos de frio nem derretemos sob o sol. Mas então era um desses dias. Precisamente um domingo. Estávamos em um grupo de amigos praticando o Nadismo quando percebemos que um integrante estava meio para baixo. Ao ser questionado, a pessoa disse que estava com uma “deprê de domingo”.

Alguns acharam engraçado e concordaram. Não que o dia estava depressivo, mas que o domingo, às vezes, pode levar a isso. Alguns não deram ouvidos e seguiram deitados na grama aguardando o fim do dia. No meu caso, me surpreendi comigo mesmo ao discordar, pois também sempre coloquei o dia de domingo na lista negra. Por sorte, eu o tirei dessa lista há algum tempo.

Primeiro porque é apenas o nome de um dia, apesar de parecer que há um “clima diferente” no ar, como dizem alguns. Mas o relógio anda na mesma velocidade. O sol nasce e se põe como nos demais dias.  Segundo porque é um dia que podemos ficar um pouco distante dos compromissos. Descansar. Falar besteira ou assistir a um filme sem prestar atenção nele.

Mas entendo essa sensação, digamos melancólica, que nos atinge vez ou outra. Afinal, sabemos que no dia seguinte voltaremos à rotina, que voltaremos a cumprir horário pontualmente, que voltaremos a embarcar no ônibus lotado ou enfrentar engarrafamento com o carro. Enfim, voltaremos. Porém, cuidado, isso significa que o domingo não é o gatilho de uma angústia, mas sim, o ato de voltar. Se for isso mesmo, significa que o problema está nas suas escolhas. E talvez ainda dê tempo para revê-las, para evitar que, lá na frente, uma falsa sensação de depressão não vire mesmo um quadro real do problema. E um bom domingo a todos, apesar de hoje ser quinta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário