- Estou falando com você, Carmem.
Ela estava com a boca semiaberta olhando para o celular.
- Carmem!
- O que foi, Tadeu.
- O que foi? O que foi? Estou aqui falando enquanto você não tira os olhos desse celular.
Carmem o encara. O celular ainda na mão.
- Diga, homem.
- Como assim “diga”? Não ouviu nada do que eu falei?
O garçom trouxe o vinho que haviam pedido. Carmen levanta os olhos.
- Vinho?
- Mas você concordou em pedir vinho. A questão é que você não presta mais atenção em nada do que te falam. Você não consegue mais largar esse telefone. Já li sobre isso. Você está viciada, isso sim. Segunda-feira vou procurar um especialista.
- Tá bom. Confesso que às vezes exagero.
Ele olha para o celular na mão dela. Então Carmem entende o recado e o coloca na bolsa.
Tadeu enche as duas taças e propõe fazer um brinde. Ambos sorriem. Quando vão tocar as taças, Carmem interrompe e tira o celular da bolsa.
- Não, não, não.... – protesta Tadeu.
Carmem se defende.
- Só uma foto do brinde.
- Só uma foto do brinde.
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