Quanto mais velho melhor. Aliás, velho não. Antigo. Ou ainda, vintage. Retrô também. Enfim, quanto mais idade tiver o objeto, mais descolado e valorizado ele será. Este movimento em torno de artefatos que foram tendência em outras épocas está cada vez mais forte. O que eu acho uma maneira muito interessante de se valorizar costumes e culturas de um período em que nós não tivemos oportunidade de vivenciar.
Sou um apreciador voraz dessa onda que resgata as antiguidades e traz para nosso contexto contemporâneo, abarrotado de virtualismo, oportunidades de conhecermos o que nossos pais e avós tinham em termos de diversão, moda ou mobilidade. Não que eu seja um saudosista. Apenas acho interessante essa volta no tempo. Poder compreender o quanto, hoje, temos facilidade extrema em conectar pessoas, em se deslocar, em se divertir. Em paquerar. Fico imaginando a cara da minha falecida avó se eu explicasse para ela o que é o Tinder. Provavelmente eu seria obrigado a visitar alguma benzedeira, por estar envolvido com coisas do capeta.
O interessante é que muitas dessas ofertas de produtos retrôs são mais caras do que eram em sua época. Até entendo quando se compra um produto original, fabricado há décadas atrás. Mas, para mim, perde o encanto quando as empresas, antenadas às tendências de consumo, criam novos produtos apenas com a aparência de antigo. Aí não vale. Mesmo assim, comprei um toca-discos novo, e com aparência de velho. Até entrada para USB tem. Até hoje me pergunto o motivo de uma entrada USB, se eu paguei caro por um aparelho justamente para tocar discos de vinis. De qualquer forma, mesmo o equipamento sendo novo, o ritual de colocar o disco sob a agulha consegue resgatar um pouco uma aconchegante nostalgia.
Pensando nisso, resolvi que não descartarei mais nada das minhas coisas, digamos modernas. Tenho guardado um videocassete, um DVD Player, um monitor de computador CRT (aqueles com um tubo atrás) e um Discman. Em alguns anos espero conseguir alguma grana com eles. Talvez com o videocassete. Se bem que, até chegar esse dia nosso próprio dinheiro será peça rara.
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