Somos o que consumimos. Se isso for verdade podemos dizer, também, que somos seres indefinidos, devido à infinidade de coisas que compramos. Muitas dessas coisas que ficam atiradas naquele quartinho de tralhas, que simboliza a cultura da acumulação e do desperdício em que vivemos.
Compramos para satisfazer nossas necessidades e também para satisfazer os desejos. Porém, os desejos são tantos, que se misturam e nos confundem, fazendo com que esqueçamos o que realmente desejamos. Talvez não desejamos tanto. Mas somos impulsionados por campanhas publicitárias sedutoras que nos mostram como ficaremos poderosos dentro daquele carro de luxo com uma moça no banco do carona, que vemos no intervalo da novela das nove. Aliás, por que a mulher também aparece como uma espécie de objeto conquistado, em campanhas de diferentes produtos?
Consumir faz com que a economia se movimente, a sociedade se desenvolva, e, claro, as pessoas fiquem felizes. Bonito. Mas esse desenvolvimento e essa felicidade não podem ser alcançados sem medir consequências e ter em mente os limites dos recursos naturais. Por isso se faz necessária uma educação voltada para o consumo consciente, colaborativo, onde o desperdício seja reduzido e o convívio entre as pessoas seja fortalecido. E essa mesma propaganda que é vista como vilã, por estimular o consumo exacerbado, pode ser direcionada para este consumo focado no sustentável. Inclusive, já existem muitas empresas que direcionam suas estratégias para este conceito. Basta sair da zona de conforto e abrir mão do conservadorismo.
Não significa que não iremos mais enfrentar fila para entrar em um shopping lotado, com um estacionamento caro e sem vagas, nas vésperas de uma data comemorativa, em um dia de sol de outono - no qual poderíamos estar sentados em uma praça tomando um chimarrão com os amigos -, apenas para comprar um presente, que corre o risco de não ser muito agradável ao gosto de quem irá receber. Digo isso por ser péssimo em comprar presente. Já tive experiências desagradáveis com isso. Enfim, voltando ao raciocínio, não custa nada um pouco de reflexão. Talvez possamos perceber melhor que nem tudo se resume ao material, mas também ao emocional.
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